Laços de família (Por Marcelo)

Minha irmã, autora do blog, sempre posta narrativas de conteúdo cômico envolvendo seus filhos, que a cada dia se superam nas pegadinhas e travessuras. No entanto, hoje pensei em contribuir para o Blog relatando uma passagem com conteúdo distinto dos constantes no Papo de Criança. Me senti na obrigação de partilhar um sentimento de gratidão e orgulho, com todas as pessoas que participam do Blog, sejam  contribuintes ou leitores.

No final de 2006, um ano difícil, de muitas alegrias mas também de grandes tristezas, um acontecimento mudaria o rumo da minha vida para sempre, amadureceria em dias o que postergava a anos, acharia em minutos o que estava procurando em horas de insônia. Por forças maiores, tal acontecimento, algo totalmente inesperado e fora da realidade, causou um impacto muito grande na vida de muitas pessoas  e comigo não foi diferente, a tristeza reinava absoluta! Não querendo externar minha tristeza às pessoas que também já estavam sofrendo, me apresentava sempre forte e positivo, mas no fundo a dor estava sempre superando a fé e a serenidade. Certo dia, para ajudar minha irmã com o gordo, fui buscá-lo na escolinha. Ele estava com exatos 1 e 10 meses. Estávamos subindo de elevador da garagem – 3º Subsolo - até o apartamento da minha mãe no 16º Andar. Quando não querendo demonstrar minha tristeza ao pequeno escuto: “Titiu não chore mais por dentro, tudo vai se resolver, confie que isso vai passar… Eu amo você!”. Fiquei paralisado e pensei: “Caraca. Como um criança que está aprendendo a falar algumas palavras é capaz de estar falando isso pra mim, ainda mais coisas tão complicadas e sérias”.

O elevador não parou em nenhum andar; a subida do 3º subsolo ao 16º andar parecia uma eternidade e como o gordo, pequeno daquele jeito, sabia de tudo que estava acontecendo. Chegando na casa da minha mãe fui logo ao banheiro esconder a minha emoção, pois não acreditava que aquilo estava acontecendo.

A partir desse dia comecei acreditar em anjos que nos ajudam nos momentos mais difíceis das nossas vidas, que nos enchem de esperanças e renovam a nossa fé, nos lembrando que algo melhor está por acontecer e que isso só depende de nós mesmos. Demorei para encontrar o que estava faltando  na minha vida, foi difícil, bati em inúmeras portas erradas, mas com persuasão e com as palavras do gordo na minha cabeça encontrei a porta que tanto procurava.

Hoje em dia, faço questão de buscá-lo na escolinha e passar um tempinho com ele, apenas nós dois, como naquele dia do elevador. Em dias difíceis no trabalho, onde tudo dá errado, ou algo pessoal que me deixa chateado, a primeira coisa que me vem à cabeça é a imagem do gordo dando risada; e o melhor, o lembrete de que para eu ter ao vivo este sorriso basta ir visitá-lo. Espero um dia fazer por ele um décimo do que ele fez por mim, com apenas 1 ano e 10 meses de vida!

Ass. Tiu

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